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07 abr

Roberto Rodrigues destaca cooperativismo como peça fundamental na reconstrução do agronegócio


Ex-ministro da Agricultura falou para pública da TECNOSHOW COMIGO e chamou atenção para a falta de uma estratégia com políticas públicas consistentes para o setor

 

Apresentando um olhar sobre o futuro do agronegócio e apontando os caminhos para a reconstrução do setor no Brasil, Roberto Rodrigues fechou o circuito de palestras do Auditório 1, da 16ª edição da TECNOSHOW COMIGO, na manhã desta sexta-feira (7). O ex-ministro da Agricultura destacou o cooperativismo como papel central na formação da escala para o pequeno produtor, que devido a globalização corre o risco de ficar fora do jogo mas que é um reforço valioso para reorganização da atividade, economicamente falando. O sistema cooperativo também foi citado quando Roberto falou sobre o crédito rural – um dos temas que lidera a lista de preocupações dos produtores. “As cooperativas de crédito estão mudando o Brasil”, pontuou o consultor, que coordena o Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, é embaixador especial da FAO para as Cooperativas e foi ministro da Agricultura no governo Lula, entre 2003 e 2006.

 

Citando o anúncio do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi, sobre a apresentação de alternativas para o Seguro Rural, o otimismo deu o tom do discurso de Roberto, que destacou o interesse do presidente Michel Temer pelo agronegócio. “Ele incorporou o tema a suas prioridades, o que não acontecia a muitas décadas. E em um governo democrático como o nosso, qualquer discussão só vai pra frente se for vontade do chefe”. Rodrigues citou anda um encontro que teve essa semana com o ministro do Comércio Exterior, Marcos Pereira, durante o qual foi informado que o agro passou a ser prioridade também para o Itamaraty. “Devagar, as questões centrais do agronegócio estão sendo aceitas pelo governo e sendo tocadas institucionalmente”, afirma.

 

Demanda por alimentos: motivo para produzir

Ao apresentar um resumo do cenário macroeconômico, o consultor citou o crescimento populacional e a necessidade por uma maior produção de comida. Ele explicou que um estudo divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) apontou que na próxima década a oferta mundial de alimentos tem que crescer 20% para que não haja fome no mundo. “Levando em consideração que os Estrados Unidos não vão conseguir crescer mais que 13%, e que o percentual da União Europeia não deve ultrapassar 4%, o Brasil precisará crescer 40%. A pergunta é: nós vamos crescer isso em dez anos? Se não cuidarmos de temas como seguro rural, logística e infraestrutura, acordos bilaterais com países consumidores e parcerias público privadas, a resposta é não”, enfatiza.

 

Pensando microeconomicamente, Rodrigues aponta uma recuperação gradual ao longo de 2017, com a queda da inflação e das taxas de juros. A expectativa de que haja um impacto de mais de 0,4% do agronegócio no PIB Nacional (praticamente metade do que se espera que a economia cresça como um todo), uma safra recorde e cerca de 60 milhões de toneladas de soja deixando o país, são pontos que devem colocar o Brasil na pauta de discussões internacional.

 

Desafios

A lista de desafios para a reconstrução do setor no Brasil é encabeçada pela necessidade de se estabelecer uma pluralidade para o Plano Safra, além da realização do Censo Agropecuário com ênfase no Seguro Rural, a discussão sobre a regularização fundiária e o investimento em assistência técnica para difusão de tecnologias sustentáveis. “O acesso ao crédito rural também é um problema grave.  Ele vem de uma lei de 1965, ou seja, tem 52 anos de idade – imaginem só quanta coisa mudou no Brasil nesse período”, provoca.

 

Também entrou na pauta de discussões a necessidade do setor privado passar por uma mudança de paradigma, controlando custos, gerindo as propriedades com uma visão mais comercial e se atentando ao movimento social econômico mais importante que o mundo tem contemporaneamente: o cooperativismo. “O mundo tem hoje sete bilhões de habitantes. Destes, quase um bilhão é ligado a alguma cooperativa. Se cada um tiver quatro dependentes, já são quatro bilhões de cooperados. Então, mais da metade do planeta é ligado a alguma cooperativa. Nenhuma religião tem isso”.

 

Ele também fez questão de destacar o papel do sudeste goiano, enfatizando Rio Verde, no projeto que fará do Brasil um lugar melhor para se viver da terra.


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