Publicado em: 08/04/2026
Com a implementação de novos impostos e obrigações, produtor deve acompanhar de perto a transição para o novo modelo tributário
A implementação da reforma tributária traz desafios imediatos para o agronegócio e exige uma mudança de postura do produtor rural. Essa foi a recomendação da advogada e coordenadora Regional da Safras & Cifras, Alessandra Braga, durante a palestra "O Agro na Era da Reforma Tributária: Impactos e Estratégias", realizada na quarta-feira (8), no Auditório 2 da Tecnoshow COMIGO 2026, em Rio Verde (GO).
A especialista alertou que a gestão dos tributos não pode mais ser vista como uma responsabilidade exclusiva de escritórios de contabilidade ou assessorias jurídicas, ou seja, o produtor precisa ocupar o papel de protagonista dentro da própria estrutura.
"O principal ponto é que ele se organize, olhe para dentro da sua estrutura e se coloque como protagonista da sua gestão tributária, ficando a par de quais são as oportunidades, custos e, principalmente, o impacto dos novos impostos para saber o que pode ser feito a respeito", afirmou Alessandra.
Pontos de atenção para 2026
O calendário da reforma já exige ações práticas ainda neste ano. Entre as prioridades listadas pela palestrante, destaca-se o cumprimento das obrigações acessórias (declarações, registros e documentos que as empresas devem enviar ao Fisco para comprovar o cumprimento das obrigações principais), como o destaque dos novos impostos nas notas fiscais.
Além disso, a partir de julho, os produtores devem verificar se estão enquadrados como contribuintes para garantir a constituição de um número de CNPJ — uma exigência da Receita Federal para o acompanhamento dos impostos, mesmo que não signifique a abertura de uma empresa formal.
A atenção deve se estender também ao impacto do Imposto de Renda e, para o próximo ano, à chegada do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
Nesse sentido, segundo Alessandra, um dos pontos que ainda gera incerteza no planejamento estratégico é a definição das alíquotas. "Ainda não temos uma alíquota definida. É previsto algo em torno de 27% a 28% para a alíquota cheia, sendo que o produtor rural terá um desconto de 60% sobre esse valor. Sem saber exatamente a carga tributária, o planejamento torna-se ainda mais essencial", explicou.
Oportunidades para o cooperativismo
A palestra também trouxe um recorte específico para os cooperados. Alessandra conta que o modelo de negócio realizado via cooperativa pode oferecer caminhos mais eficientes sob o novo regime.
"É fundamental que o cooperado entenda que os negócios feitos com a cooperativa podem ter benefícios tributários, já que o ato cooperativo possui um tratamento diferenciado. É uma questão que precisa ser avaliada em cada planejamento", destacou a coordenadora.
Gestão estratégica e terceirização
O painel reforçou a necessidade de uma visão empresarial no campo. A advogada ressaltou que a falta de clareza sobre o papel do produtor na gestão tributária é o maior risco atual e, caso o proprietário rural não se envolva diretamente, ele perde a oportunidade de aplicar uma visão estratégica sobre o seu patrimônio.
"Ainda se vê o tributário como um problema do escritório de contabilidade ou do advogado. Se o produtor não se organizar, o contador fará isso por ele, mas as visões estratégicas nem sempre serão as mesmas”, disse e concluiu: “O produtor já tem muitas responsabilidades, mas a gestão tributária também precisa entrar nessa lista para garantir a saúde do negócio”.

