Pecuária de corte deve enfrentar menor oferta de animais em 2026
Publicado em: 08/04/2026
De acordo com o consultor da HN Agro,Hyberville Neto, reposição será o principal desafio do setor e cenário de exportações segue positivo com novos mercados no radar
A pecuária de corte brasileira deve enfrentar ao longo de 2026 um cenário de menor oferta de animais, carne mais valorizada e atenção redobrada à reposição. A análise foi apresentada por Hyberville Neto, consultor da HN Agro, médico-veterinário pela UFMS e mestre em Administração pela FEA-RP/USP, durante palestra sobre os principais fatores que devem influenciar o setor no próximo ano.
Com leitura técnica aliada à inteligência de mercado, Hyberville destacou que o principal ponto para entender o ciclo pecuário atual é a oferta. “Se for para resumir o ciclo pecuário em uma palavra, seria oferta. É isso que explica boa parte do que estamos vendo e do que ainda deve acontecer”, discorreu.
Segundo ele, o setor começou a sentir, em 2022, o aumento da oferta de bezerros, ao mesmo tempo em que houve queda na rentabilidade da cria entre 2022 e 2024. Outro fator decisivo foi o aumento do abate de fêmeas entre 2022 e 2025, movimento que, segundo a expectativa do mercado, deveria desacelerar, mas seguiu elevado.
“Achávamos que o abate de fêmeas cairia em 2025, mas ele continuou alto. Agora começamos a ver uma sinalização de redução, e isso muda a estrutura da oferta daqui para frente”, destacou.
Movimentos no mercado interno e externo em 2026
As eleições de 2026 também aparecem como variável de atenção, embora, na visão do consultor, o ambiente geral ainda seja favorável ao setor. “Não há muita solidez ainda nas leituras políticas, mas se a economia crescer, isso tende a reduzir os impactos negativos sobre o consumo e o escoamento da carne”, ressalta.
No mercado externo, Hyberville destacou que o Brasil segue em posição estratégica, mesmo diante de fatores de instabilidade internacional, como conflitos geopolíticos, cotas de exportação e questões sanitárias. A China continua como principal compradora da carne bovina brasileira, seguida por Estados Unidos e Chile.
Diante deste contexto, o cenário internacional segue favorável ao Brasil. Os EUA devem continuar comprando bem, e isso ajuda a sustentar a firmeza do mercado. “Além disso, há mercados que podem entrar no radar, como Japão, Coreia do Sul”, finalizou.