Manejo de pragas na transição soja-milho exige estratégia e monitoramento antecipado
Publicado em: 08/04/2026
Pesquisadora Jurema Rattes alerta para aumento de novas pragas e reforça que decisões tomadas na safra impactam diretamente os resultados da safra seguinte
O manejo eficiente de pragas no sistema soja–milho, especialmente no período de transição entre safra e safrinha, foi tema da palestra conduzida por Jurema Rattes, doutora em Agronomia pela UFG e pesquisadora titular com décadas de atuação em bioecologia de pragas no Cerrado.
À frente da Estação de Pesquisa Agro Rattes, a pesquisadora destacou que o momento de saída da soja e a entrada do milho é crítico para o controle populacional de insetos. “Estamos exatamente no momento de transição entre culturas. E a pergunta é: os insetos da soja desapareceram? A resposta é não. Eles permanecem no sistema e impactam diretamente a safrinha”, destaca.
Segundo ela, a presença de pragas no milho está diretamente ligada ao manejo realizado na soja. “Se eu faço um bom manejo na safra, reduzo significativamente a presença de percevejos e lagartas na safrinha. Tudo começa antes”, explica.
Para contornar esse cenário, a pesquisadora reforça a importância do monitoramento antes mesmo da semeadura. “Quantas aplicações serão necessárias? Isso depende do conhecimento da praga. Não existe decisão assertiva sem identificação correta”, aconselha.
Entre os principais desafios atuais, Jurema destaca o aumento populacional e o surgimento de novas pragas no Cerrado. O cascudinho, por exemplo, já causa prejuízos expressivos, especialmente em regiões do Mato Grosso, e começa a avançar em Goiás. “É um inseto de difícil controle, com baixa sensibilidade a inseticidas e sem hábito definido, o que dificulta o manejo”, discorre.
Como estratégia, Jurema defende um manejo integrado e mais tecnológico. “Precisamos ser assertivos nas primeiras aplicações. Se errarmos no início, o problema se agrava ao longo do ciclo, especialmente se o clima não colaborar”, ressalta.
Entre as ferramentas recomendadas estão o monitoramento pré-semeadura, tratamento de sementes direcionado, tecnologias de aplicação mais eficientes, uso de inseticidas com novos mecanismos de ação, como bloqueadores de alimentação, e a integração entre produtos químicos, biológicos e atrativos alimentares. “Proteger o sistema produtivo exige decisão técnica, conhecimento da praga e uso inteligente das ferramentas disponíveis”, conclui.