Publicado em: 09/04/2026
Especialistas destacam na Tecnoshow COMIGO como o uso de biotecnologia ajuda a impulsionar imunidade do rebanho e outras estratégias para melhorar o desempenho na pecuária leiteira
O futuro da pecuária de leite no Brasil passa obrigatoriamente pelo cuidado com a recria e pela construção de animais mais resistentes e produtivos. Durante o ciclo de palestras que integrou o espaço "Dinâmicas da Pecuária", realizado nesta quinta-feira (9) na Tecnoshow COMIGO 2026, em Rio Verde (GO), especialistas reforçaram que a alta genética, por si só, não garante resultados se não houver um manejo rigoroso desde os primeiros minutos de vida do animal.
Na palestra "Da bezerra à vaca: construindo a próxima lactação", a médica-veterinária e consultora da Ourofino Saúde Animal, Sinara Gomes, alertou que uma vaca de alta performance não nasce pronta, mas é edificada por meio de uma "escada" de cuidados. O percurso de 24 meses até que a bezerra entre em produção exige atenção total a degraus fundamentais, como a colostragem imediata, a cura de umbigo e um protocolo sanitário bem definido.
“Sem uma bezerra bem cuidada, não teremos uma vaca eficiente lá na frente”, explicou Sinara. Ainda segundo a consultora, o foco deve ser a prevenção para garantir que o animal desempenhe todo o seu potencial genético com sustentabilidade e bem-estar.
Para auxiliar nessa construção de rebanhos mais saudáveis, a veterinária apresentou uma inovação tecnológica focada no controle do estresse: o FerAppease. Trata-se de um análogo da substância apaziguadora materna bovina que atua diretamente no bloqueio da liberação de cortisol e adrenalina, hormônios ligados a situações desafiadoras como o desmame e o parto.
Os dados apresentados durante o evento mostram resultados práticos dessa estratégia, como a redução nos índices de mortalidade e de diarreia em bezerras, além de um melhor ganho de peso ao desmame. "Quando controlamos o estresse, mantemos a imunidade alta, o que reflete em reprodução, alimentação e desempenho produtivo. No pós-parto imediato, o uso dessa solução tem demonstrado impacto na diminuição de casos de metrite e mastite, garantindo um retorno mais rápido da vaca à alimentação e à produção plena", detalhou a especialista.
Quebra de paradigmas e foco na rentabilidade na recria
A nutrição na fase de recria, muitas vezes subestimada no passado, foi o tema central da apresentação de Valdir Chiogna. Médico-veterinário e fundador da Milk Mais Consultoria, ele pontuou que o sucesso da atividade leiteira exige uma mudança cultural profunda nas fazendas, tratando a criação de bezerras e novilhas não como uma despesa, mas como um investimento de longo prazo com retorno garantido no cofre.
Chiogna destacou que a ciência trouxe novos conceitos que derrubam antigos paradigmas, especialmente no que diz respeito ao fornecimento de leite e concentrado. Antigamente, era comum fornecer pouco leite e havia um receio cultural de oferecer mais do que um ou dois quilos de ração por bezerra.
“Hoje, entendemos que fornecer mais leite na fase inicial e elevar o concentrado para a média de 3 kg a 3,5 kg por dia é fundamental. O produtor às vezes se assusta por ser uma categoria que não traz lucro imediato, mas quando essa novilha pare, a fazenda enxerga o resultado da estratégia na produção de leite”, explicou.
Além do ajuste nutricional, o consultor reforçou a importância de equilibrar os níveis de proteína da dieta após a desmama. “Tratar bem a recria é o que vai determinar a evolução da fazenda. Quanto melhor for o cuidado inicial, mais leite esse animal produzirá no futuro”, disse e finalizou: “Cada centavo aplicado nessa fase é um investimento direto na longevidade e na produtividade do rebanho”.
Serviço
Tecnoshow COMIGO
Data: 6 a 10 de abril de 2026
Horário: 8h às 18h
Local: Centro Tecnológico COMIGO (CTC) – Rio Verde (GO)
Entrada gratuita

