Mulheres do agro reforçam protagonismo, gestão e legado no campo
Publicado em: 10/04/2026
Painel “A importância das produtoras rurais” destacou a força feminina na sucessão familiar, inovação e construção do futuro do setor
A valorização do papel das mulheres no campo e a construção de um legado sólido para as próximas gerações foram temas centrais do painel “A importância das produtoras rurais no agro: valorização e legado no campo”, promovido na manhã da sexta-feira, 10/4, no Auditório 1. O encontro reuniu lideranças femininas que mostraram, na prática, como o protagonismo das mulheres tem transformado o agronegócio brasileiro.
Abrindo o painel, Alessandra Nishimura, head de Governança Familiar do Grupo Jacto, trouxe um relato pessoal sobre a trajetória da família e a construção de uma das empresas mais relevantes do setor. Ela resgatou a história do avô, fundador da companhia, e destacou o papel essencial da avó, responsável por sustentar a família com sabedoria, paciência e equilíbrio emocional.
De acordo com Alessandra, o legado no agro vai muito além de números como produção ou área plantada. “Estamos falando de mãos que plantam, cuidam e sustentam famílias, tradições e futuras gerações. Existe um trabalho invisível, muitas vezes liderado por mulheres, que precisa ser reconhecido”, compartilhou.
Ela também ressaltou valores como união, amor, perdão e resiliência como pilares fundamentais para empresas familiares longevas. “O maior aprendizado da minha vida não veio da faculdade, mas das pessoas que caminharam comigo”, completou.
Na sequência, Alessandra Decicino, engenheira agrônoma e sócia-diretora da BRAV AG, abordou os desafios e oportunidades da atuação feminina no chamado agro 5.0, marcado pela profissionalização, tecnologia e gestão estratégica. Segundo ela, mais de 90% das empresas do agronegócio brasileiro são familiares, o que reforça a importância da governança e da preparação das novas gerações.
“A sucessão no campo não é só sobre herdar terras, mas sobre preparar pessoas. O que vai garantir o crescimento do agro são as pessoas”, pontuou. Alessandra Decicino também ressaltou que o Brasil ocupa posição de destaque global na exportação agrícola e que o avanço da participação feminina tem papel direto nesses resultados.
Dados apresentados durante o painel indicam que as mulheres representam cerca de 30% da força de trabalho no agronegócio brasileiro, número que tende a crescer com a entrada de novas gerações mais conectadas à inovação e à gestão. Nesse cenário, habilidades como liderança, comunicação, inteligência emocional e alta performance são apontadas como diferenciais competitivos.