Publicado em: 10/04/2026
Tecnologia permite reduzir custos operacionais e ter um nível de gestão semelhante a grandes grupos do agronegócio
A revolução tecnológica no campo atingiu um novo patamar com a disseminação da Inteligência Artificial (IA), uma ferramenta que promete ser tão impactante para a sociedade quanto foram a energia elétrica e a internet. Essa foi a análise do CEO da Bit Electronics, Igor Serafim, durante a palestra "O Agro Conectado: O passo a passo da conectividade à inteligência artificial na lida", realizada nesta sexta-feira (10), na Tecnoshow COMIGO 2026, em Rio Verde (GO).
Um dos principais benefícios destacados por Serafim é a democratização da informação. Com investimentos acessíveis, o pequeno e o médio produtor agora podem realizar análises de dados com a mesma profundidade que grandes grupos agrícolas, que tradicionalmente dependem de extensas equipes de analistas.
"Com cem reais por mês, é possível ter um nível de análise de dados semelhante ao de uma grande empresa. A IA veio para facilitar e acelerar os processos, funcionando como um consultor financeiro ou agrônomo disponível 24 horas por dia", afirmou.
O "plantio" dos dados e a colheita de resultados
Para explicar o funcionamento da ferramenta, o palestrante utilizou uma analogia familiar ao produtor: o ciclo da lavoura. Segundo ele, o "prompt" (comando dado à máquina) equivale à semente; o processamento da IA é o cultivo; e a resposta final é a colheita. No entanto, ele alertou que a qualidade do resultado depende diretamente da organização das informações fornecidas.
“Para ter uma colheita boa, a semente precisa de terra fértil. Na IA, o principal passo é organizar os dados. A própria tecnologia pode ajudar nisso, transformando fotos de anotações em cadernos em tabelas organizadas. Sem dados de qualidade, a ferramenta não consegue entregar o diagnóstico correto para o negócio”, explicou o CEO.
Gestão de custos como ponto de partida
Diferente de outros setores da economia, o produtor rural muitas vezes não tem controle sobre o preço final de venda de suas commodities. Por isso, Serafim recomenda que a implementação da IA na fazenda comece pelo controle de custos, onde a margem para eficiência é maior. Ele sugere que o produtor identifique falhas de ociosidade das máquinas, analise o consumo de combustível e otimize as tomadas de decisão de compra de insumos.
O especialista ressaltou, porém, que a tecnologia não substitui o conhecimento prático e o "feeling" de quem opera a fazenda. "A IA não vai substituir o conhecimento da operação ou a capacidade de resolver problemas operacionais ali no campo. Ela é uma auxiliar que tira a decisão do campo do eu acho e a coloca no eu sei, baseando as ações em dados reais. O segredo é não tentar resolver tudo de uma vez. Comece por questões pequenas e vá ampliando gradativamente conforme ganha confiança na ferramenta”, concluiu Serafim.

